Transpessoal – Conceitos

Artigo por Mário Simões

O que é o Transpessoal?

O conceito Transpessoal tem as suas origens na Psicologia Transpessoal.
Esta é um novo ramo da Psicologia, que surgiu como um desdobramento ou evolução da Psicologia Humanista, cujo representante mais conhecido será, porventura, Abraham Maslow.
Alguns autores consideram-na como a “quarta força” ou “escola”, em Psicologia, após o
behaviourismo-cognitivismo, psicanálise e psicologia humanista, integrando todas estas. Tem raízes no existencialismo, no humanismo e na fenomenologia, encontrando subsídios nos mais recentes conceitos da física moderna, neurobiologia e informática. A Psicologia Transpessoal foi oficializada em 1968, nos Estados Unidos da América por Abraham Maslow, Viktor Frankl, Stanislav Grof e James Fadiman. As associações de profissionais liberais, predominantemente médicos e psicólogos, que se interessam pela Psicologia Transpessoal passaram a admitir profissionais de outros saberes, que aderiram aos pressupostos daquela corrente da psicologia e a sua designação reduziu-se à substantivação da palavra Transpessoal.
A definição de (Psicologia) Transpessoal tem sofrido alterações, embora persista um núcleo comum de referências ao longo do tempo – pressupostos ontológicos, teorização do “Self”, valores perenes e potenciais evolutivos, estados (modificados) de consciência (EMC) e bem-estar biopsico-social, integrando também a dimensão espiritual. Nas definições iniciais apresentava-se
como um movimento (com vivências ou experiências transpessoais, aplicações clínicas e sociais e investigação específica), que estava para “além dos objectivos egóicos e estabelece a ponte entre práticas psicológicas e espirituais, tendendo a satisfazer a busca de um crescimento espiritual, até uma direta percepção do divino”. De um ponto de vista psicoterapêutico a “sua essência reside nas atitudes terapeuta, nas experiências transpessoais nas quais o paciente é o seu próprio terapeuta”.
O movimento Transpessoal, pretende o bem-estar bio-psico-emocional-social-cultural-espiritual, de acordo com o processo evolutivo da pessoa, usando preferencialmente os estados modificados de consciência em vigília nos quais a pessoa (ou paciente) é o seu próprio terapeuta, integrando os conhecimentos das tradições orientais (xamanismo, meditação, etc.) e ocidentais (experiências místicas, de quase-morte, hipnose, sonho acordado, psicodislpticas, etc.) sobre aqueles estados com os obtidos pela ciência moderna. No campo da Psicologia Transpessoal, está é a área da psicologia que estuda os estados modificados de consciência e os fenómenos, de qualquer tipo, com eles relacionados (sua psicofisiologia e as experiências humanas excepcionais ou diferenciadas, que decorrem da aplicação terapêutica). Trata-se de uma definição pragmática, para iniciar trabalhos inter e transdisciplinares no meio académico. Refira-se que numa análise de conteúdo de definições nos últimos 23 anos, feita por Lajoie & Shapiro em 1992, estes autores propunham um consenso: ocupa-se odo estudo do mais elevado potencial da humanidade e com o reconhecimento, compreensão e realização de estados de consciência unitivos espirituais e transcendentes.
por Prof. Doutor Mário Simões – Prof. Psiquiatria Universidade de Lisboa – Portugal
Co-fundador da Alubrat – Portugal / Brasil